A aromaterapia é uma ciência que existe há mais de 2.000 a.C. O termo foi criado pelo químico francês Maurice René de Gattefossé que utilizava os óleos essenciais em seus produtos e criações com o objetivo de perfumá-los, sem nenhum fundamento terapêutico até que ficou fascinado pelas possibilidades terapêuticas dos óleos essenciais a partir de uma experiência pessoal.
Ao sofrer uma queimadura em seu laboratório, mergulhou os braços em uma tina de lavanda e, imediatamente, percebeu que a sensação de alívio da dor. Em poucos dias estava curado e sem nenhuma cicatriz. A partir daí passou a pesquisar as possibilidades terapêuticas dos óleos essenciais.
A Aromaterapia, método complementar de tratamento, baseia-se no fato de que os nervos olfativos transmitem sinais diretamente para o sistema límbico, gerando uma resposta emocional imediata. Certos aromas podem nos acalmar, estimular, ajudar a dormir ou influenciar nossos hábitos alimentares.
A Aromaterapia propõe descobrir odores agradáveis que possam aliviar o estresse. O objetivo dos aromas de certas essências fazem com que o cérebro libere encefalinas, fragmentos de proteína com grandes afinidades com a morfina e que ocorrem naturalmente no tronco cerebral e na medula espinhal: sua liberação reduz a dor e cria uma sensação de bem-estar.
O olfato tem o poder de influenciar funções cerebrais associadas à Psicopatologia. Os axônios dos bulbos olfativos ligam-se
à amígdala, uma estrutura no sistema límbico essencial para promover o desenvolvimento desde os processos de criação e aprendizado até o condicionamento do medo. A hipersensibilidade da amígdala tem sido apontada como envolvida na ansiedade, nos acessos de pânico, no distúrbio do estresse pós-traumático (PTSD) e no distúrbio de hiperatividade com déficit de atenção (DDAH).
A amígdala recebe estímulos de todas as modalidades sensoriais, embora de nenhum tão diretamente quanto do olfato.
Projeções olfativas também são encontradas no hipotálamo, o centro hormonal do cérebro responsável pela reação de combate ou fuga. Por consequência, os odores podem alterar diretamente os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea com muito pouca mediação. As fibras olfativas também se projetam nas áreas de prazer do sistema límbico, incluindo a amígdala e a área septal, onde são vistas disfunções associadas à esquizofrenia, à dependência de tóxicos, DDAH e à capacidade de sentir-se simplesmente satisfeito. É interessante notar que a depressão causa com frequência um substancial declínio na capacidade dos pacientes para identificarem diferentes cheiros.
As Três fases da Interpretação de um Aroma
1. Recepção: o óleo essencial libera notas de cabeça, corpo e fundo. As notas de cabeça são mais voláteis (as primeiras notas
a saírem do óleo). O cheiro é constituído de moléculas voláteis que entram pelas narinas, são aquecidas, umidificadas e captadas pelos receptores no epitélio olfativo que fica dentro da cabeça à altura das sobrancelhas. O epitélio olfativo é uma estrutura menor que um selo postal. Sua área é de 5 a 10 cm
2 e chega a ter aproximadamente 100 milhões de cílios olfativos (terminações nervosas). Cada molécula ocupa um sítio receptor específico. Quando isso ocorre, dá-se início a uma sequência de reações químicas que originam impulsos elétricos para o cérebro. Inicia-se o processo da transmissão da informação.
2. Transmissão: as moléculas odoríferas são eliminadas após sofrerem modificações químicas durante a filtragem do sangue pelo rim. O que vai para o cérebro é a informação contida no cheiro. A mensagem é enviada pelos neurônios olfativos. Nada no cérebro é simples ou linear. O córtex cerebral (parte pensante) também envia outras mensagens ao bulbo via neurônios, modificando inclusive a própria reação do bulbo olfativo ao cheiro. Por exemplo: o óleo essencial de hortelã-pimenta pode abrir
o apetite. O córtex cerebral, entretanto, pode nos fazer perder o apetite após uma refeição. As características olfativas não mudaram, o que mudou foi a forma de interpretação do aroma.
3. Identificação: o rinencéfalo é responsável pela recepção, condução e integração das sensações olfatórias. Ele é constituído de todas as estruturas relacionadas diretamente com a olfação, a de nosso maior interesse é o bulbo olfativo. Nessa pequena estrutura ovóide é o local que ocorre a percepção e identificação do cheiro. Essa estrutura consegue distinguir se o odor de queimado é de uma folha de papel ou de uma folha de árvore. O conteúdo da informação recebida pelos impulsos nervosos deflagrados nos cílios que chegam ao bulbo olfativo é retransmitido por sinapses para regiões do sistema límbico responsáveis pelos mecanismos comportamentais e viscerais. Apesar dos impulsos nervosos serem elétricos, a transmissão desses impulsos de um neurônio (célula nervosa) para outro ocorre quimicamente e não eletricamente, ou seja, a transmissão do impulso na sinapse é de natureza fundamentalmente química.
Fonte:
MZ Aromas e Alquimias.
www.mzaromas.com.br